28/09 - Renda melhor jovem alimenta os sonhos de estudantes do rio de janeiro.

Programa que dará poupança escola a jovens será lançado no próximo dia 29

O nome oficial do programa é Renda Melhor Jovem, mas para Jéssica, Luiz Antônio, Marcilene e Rosali, alunos do Ensino Médio de escolas públicas do estado nos municípios de Belford Roxo, Japerí e São Gonçalo, o programa é a chance de um futuro melhor. Eles fazem parte do grupo de 4.000 alunos, dos três municípios, inseridos no Renda Melhor Jovem, componente do programa de superação da pobreza extrema do estado do Rio de Janeiro, que irá garantir, a quem tiver freqüência e bom desempenho, uma poupança escola de até R$ 3.100 ao fim dos estudos.
O programa será lançado pelo governador Sérgio Cabral e os secretários de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos, Rodrigo Neves, e de Educação, Wilson Risolia, no próximo dia 29, às 10 horas, no Teatro João Caetano, na Praça Tiradentes.

Esses jovens fazem parte das famílias assistidas pelo programa Renda Melhor, que recebem um auxílio entre R$ 30 e R$ 300 para saírem da linha da miséria. O Renda Melhor Jovem é o segundo componente do plano de superação da pobreza, que dará aos jovens dessas famílias um incentivo para concluírem com qualidade os estudos. Os beneficiados serão jovens que ingressaram no Ensino Médio, que tenham freqüência e bom desempenho nas provas do Sistema de Avaliação da Educação do Estado do Rio de Janeiro (SAERJ); sejam aprovados; e participem das atividades de qualificação profissional e orientação financeira”, explica Rodrigo Neves.

A poupança escola será de R$ 700 para os aprovados no 1º ano do Ensino Médio; R$ 900 para o 2º, e R$ 1 mil para o 3º. Os alunos no Ensino Médio Técnico, que cursarem o 4º ano, poderão receber mais R$ 1,2 mil. Além do prêmio anual, os alunos que obtiverem bom desempenho no SAERJ poderão receber mais R$ 500 ao concluir os estudos.

Moradora do bairro São Jorge, em Japerí, Marcilene de Oliveira Silva, de 18 anos, é uma das contempladas pelo projeto. Aluna do 3º ano do Ensino Médio do Ciep Gilson Amado, ela pretende investir o dinheiro em um curso de qualificação. Em uma casa de apenas um cômodo e um banheiro, ela mora com a mãe, a diarista Marinez Gomes, de 40 anos, o padrasto Gilson Vicente e seis irmãos menores.

“Quero fazer um curso de radiologia para poder entrar para a Marinha. O meu padrasto tinha dito que ia tentar pagar, mas o que ele ganha é pouco para sustentar todos nós. Com o Renda Melhor Jovem vou poder pagar o meu curso. Gosto de estudar porque quero ter um bom emprego, para ter minha casa em um lugar melhor. Aqui onde moro é muito precário e o acesso é muito difícil”, comenta Marcilene.

Também moradora de Japerí, Yasmine de Souza Costa, de 16 anos, aluna no 1º ano do Colégio Estadual João Santos Souto, acredita que o Renda Melhor incentivará muitos adolescentes a estudar.

“Conheço muita gente que estuda por estudar, com esse incentivo vai ter gente que vai querer correr mais atrás”, afirma.

Ela mora com a mãe Sirlei de Souza, de 42 anos, o padrasto Gaspar Justino, e cinco irmãos menores, uma delas portadora de necessidades especiais, em uma pequena casa no Guandu.

“Vou pensar muito bem no que eu quero fazer antes de sacar esse dinheiro. Vou aplicá-lo em algo que eu realmente queira fazer. Fiquei muito feliz quando o diretor da minha escola me contou que eu ia receber essa poupança. Quero fazer faculdade de administração e com esse dinheiro posso fazer um pré-vestibular”, conta Yasmine.

Jéssica da Silva Mathias, de 16 anos, moradora de Belford Roxo, apesar da pouca idade, já tem responsabilidade de gente grande. De segunda a sexta-feira, quando a mãe, a doméstica Marli Soares da Silva, de 50 anos, está no trabalho, no município do Rio, é Jéssica quem cuida da casa.

“Minha mãe pegou a guarda da minha afilhada de 4 anos, que sofria maus tratos. Ela conseguiu uma creche perto do trabalho para a menina, e por isso fica a semana toda lá, só volta na sexta. Nós moramos em um quintal de família e todo mundo ajuda um pouco. Meu irmão mais velho, Wellington, dorme aqui com a gente”, relata Jéssica. Além dos afazeres domésticos, a adolescente também tem uma lista de atividades extra-curriculares, o que faz com que sua vida seja bem agitada.

Consegui uma bolsa e minha mãe paga metade de um curso de petróleo e gás para mim, o mesmo ocorre com o curso de inglês. Tudo o que a minha mãe recebe ela investe no meu futuro e o Renda Melhor ajudou muito, porque agora ela consegue pagar os cursos e comprar coisas para a gente que antes não conseguia. Agora com o Renda Melhor Jovem vou poder pagar um curso pré-vestibular e entrar para a faculdade de petróleo e gás. Desde que meu pai foi embora jurei para mim que vou dar um futuro melhor para a minha família e mostrar a ele que minha mãe fez tudo pela gente”, afirma a combativa Jéssica.

Segundo o secretário de Assistência Social e Direitos Humanos, a partir do ano que vem o programa atenderá mais 20 mil jovens, beneficiários das famílias do Cartão Família Carioca e os beneficiários do Renda Melhor, tanto na Região Metropolitana quanto nos municípios com maiores taxas de pobreza extrema no Estado.

"Com o Renda Melhor garantimos às famílias extremamente pobres uma renda básica para a sobrevivência e superação da miséria. O Renda Melhor Jovem, como incentivo à conclusão do Ensino Médio e aumento da escolaridade dos jovens dessas famílias, garantimos oportunidades para a superação definitiva da pobreza e plena inclusão na sociedade", explica o secretário Rodrigo Neves.

Mãe de Rosali Tavares da Silva, de 17 anos, a diarista Adriana Tavares da Silva Oliveira, de 40 anos, vê no Renda Melhor Jovem mais uma oportunidade para a filha seguir estudando.

“Estudei até a 4ª série primária e converso muito com meus filhos, porque na minha época era tudo mais difícil, a gente não tinha esses programas, uniforme, material escolar, gratuidade nos ônibus. Hoje eles têm mais chance de estudar do que eu tive, e incentivo e cobro deles que estudem”, comenta dona Adriana.

Aluna do 3º ano do Colégio Estadual Adino Xavier, em São Gonçalo, Rosali quer ser nutricionista.

“Quero cumprir um papel importante na sociedade. O nutricionista além de cuidar da estética, cuida da saúde das pessoas. Fazer um curso de inglês é fundamental, e o dinheiro do Renda Melhor Jovem pode me ajudar nisso, já que meus pais não têm condições de pagar isso para mim”, desabafa a jovem beneficiária.

Filho de mãe analfabeta, Luiz Antônio Siqueira Coelho, de 19 anos, se esforça para não ter o mesmo destino. Morador de Ipiíba, São Gonçalo, ele caminha diariamente 4,5 Km para chegar ao Colégio Estadual Dôrval Ferreira da Cunha, no Rio do Ouro.

“O ônibus passa às 6h50, se eu esperar, perco a primeira aula. Então, saio de casa todo dia às 6h10 e vou caminhando até a escola. Na hora de ir é fácil, mas na volta, debaixo do sol de meio-dia, é mais difícil. Eu estava fazendo um bico quando a diretora da escola chegou aqui em casa contando que eu vou receber o Renda Melhor Jovem se não faltar aula e tirar boas notas. Fiquei muito feliz porque é tudo o que eu preciso. Vou usar o dinheiro para comprar roupas melhores e uma bicicleta, porque andar a pé é muito ruim”, adianta Luiz Antônio, que quer entrar para a Marinha. “Queria ser jogador de futebol, mas não tive condições de correr atrás desse sonho. No ano que vem vou fazer inscrição para o programa Jovem Aprendiz de Marinheiro. Se não der certo, posso usar esse dinheiro também para fazer um curso de mecânica”, finaliza o jovem.

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